Neuschwanstein: Wer tötete Ludwig II ? Quem matou Ludwig II?

No sábado de manhã seguimos em direção a cidade de Füssen, onde está localizado o Castelo de Neuschwanstein. Saímos da Hauptbahnhof dentro de um trem e depois de uma hora pegamos um ônibus que nos levou direto ao local. No caminho, os Alpes próximo à fronteira com a Áustria. Que paisagem linda; as montanhas todas cobertas de gelo no topo. O castelo Neuschwanstein é aquele que aparece no filme da Cinderela e é símbolo da Disney. Para se ter uma idéia, a Disney paga anualmente 1 milhão de Euros para o estado de Bayern, para poder usufruir os direitos de imagem. O castelo foi construído pelo Rei Ludwig II, o rei louco da Bavária, como ficou conhecido.

Ludwig era o filho mais velho do rei Maximiliano II e da sua esposa Princesa Maria da Prússia, porém não tinha afinidade com seus pais. Fora extremamente mimado e severamente controlado pelos seus tutores que o submetiam a um regime rigoroso de estudos e exercícios. Há quem aponte estas tensões derivadas do crescimento no seio de uma família real como causas para o seu comportamento bizarro na idade adulta. Na adolescência passava a maior parte do tempo no Castelo de Hohenschwangau, um castelo fantasista construído pelo pai perto do Schwansee, em Füssen, e que viria a ser anos mais tarde vizinho do Neuschwanstein. Ludwig havia acabado de completar 18 anos quando o pai morreu subitamente, deixando-lhe o trono da Baviera. Um dos seus primeiros atos como rei foi convocar o compositor Richard Wagner para a sua corte em Munique poucas semanas depois da sua ascensão ao trono. Wagner tinha uma notória reputação de revolucionário e namorador, e estava constantemente em fuga dos credores. Ludwig admirava Wagner desde a adolescência, depois de ter assistido às óperas Lohengrin e Tannhäuser aos 15 anos. As composições de Wagner apelavam à imaginação e fantasia do rei e preenchiam um vazio emocional. O rei foi provavelmente quem salvou a carreira de Wagner. Acredita-se que as composições posteriores de Wagner, bem como sua estreia no prestigiado Teatro Real de Munique, jamais teriam acontecido sem o patronato de Ludwig II.
Pressionado a conceber um herdeiro para o trono, Ludwig II ficou noivo da duquesa Sophie Charlote. Mas o noivado durou apenas poucos meses e o rei cancelou o compromisso. Ele jamais casaria. Sua amizade íntima com vários homens, como o seu escudeiro e chefe de cavalaria Richard Hornig, o ator de teatro húngaro Josef Kainz e o cortesão Alfons Weber, levantaram suspeitas de que ele seria homossexual. Anotações nos seus diários demonstram que o rei lutou contra a homossexualidade ao longo de sua vida.
As relações com a Prússia tornaram-se o centro das atenções a partir de 1866. Durante a Guerra das Sete Semanas que começou em julho, Ludwig concordou, assim como vários outros principados alemães, em tomar posição pelo lado da Áustria contra a Prússia. Quando os dois lados negociaram o fim da guerra, os termos requeriam que Ludwig aceitasse um tratado de defesa mútua com a Prússia. Este tratado colocaria a Baviera de volta à linha de fogo três anos depois, quando se iniciou a Guerra Franco-Prussiana. A Prússia e os seus aliados venceram o conflito, fator decisivo para a ambição Prussiana de unificação de todos os pequenos reinos germânicos num único Império Alemão sob o governo do rei Guilherme I da Prússia, agora proclamado Imperador. A pedido do chanceler prussiano Bismarck e em troca de certas concessões financeiras, Ludwig escreveu uma declaração em dezembro de 1870 apoiando a criação do Império Alemão. Com a criação do Império, a Baviera perdeu seu estatuto de reino independente e tornou-se apenas um estado no Império. Ludwig tentou protestar contra estas alterações, recusando-se a participar na cerimônia em que Guilherme I foi proclamado o primeiro Kaiser. No entanto, a delegação do primeiro-ministro da Baviera, conde Otto von Bray-Steinburg, havia garantido uma posição privilegiada do Reino da Baviera dentro do Império Alemão. A Baviera conseguiu assim manter seu próprio corpo diplomático e exército, que só ficaria sob o comando da Prússia em tempos de guerra. Após a criação da Grande Alemanha, Ludwig retirou-se gradativamente da política, e passou-se a dedicar a projetos criativos pessoais, como os famosos castelos, onde interveio pessoalmente em cada detalhe da arquitetura, decoração e mobiliário.
Em 1867 visitou as obras de Viollet-le-Duc no Castelo de Pierrefonds, e o Palácio de Versailles na França, bem como o Castelo de Wartburg, próximo a Eisenach, em Thüringen, obras que constituem referências para o que seria o estilo das suas edificações. Estes projetos empregaram centenas de trabalhadores, o que significou um fluxo considerável de dinheiro para as regiões relativamente pobres onde os seus castelos foram construídos. Os valores relativos aos custos totais entre 1869 e 1886 para a construção e apetrechamento de cada castelo são astronômicos: Castelo de Neuschwanstein, 6.180.047 marcos; Palácio de Linderhof, 8.460.937 marcos; Palácio de Herrenchiemsee , 16.579.674 marcos.
Durante a caminhada em direção ao castelo de Neuschwanstein, uma bela paisagem. A subida da montanha é puxada, exige preparo. Nos barrancos da estrada, os morangos estão floridos; crescem como se fossem grama. A parte da frente do castelo não impressiona. É como se fosse um castelo qualquer. Mas ao entrar no seu interior e ver de perto a riqueza de detalhes, é de ficar com o queixo caído. No interior do castelo só é possível entrar com uma visita guiada. O tour dura em torno de 45 min e os guias mostram apenas algumas salas do castelo. A maioria delas não estava pronta quando Ludwig II morreu (ou foi assassinado), sem contar que toda a mobília é original da época. O rei era muito detalhista. Não há uma parede branca sequer. Tudo foi feito em estilo rococó e barroco, tudo exageradamente decorado e também ao mesmo tempo moderno. Pela primeira vez na Europa viu-se torneiras com água quente encanada, banheiro com descarga automática, sistema de aquecimento integrado e uma cozinha bastante equipada. Tudo é muito amplo e bastante arejado. A sala de coroação é incrível, com figuras dos 12 apóstolos pintadas nas paredes e no teto a imagem de Deus. Naquela época era comum os monarcas acharem que o seu poder fora concedio por ordem divina. A Marienbrücke, uma ponte mais ao alto nas montanhas, proporciona uma visão incrível do castelo. É nesse momento que você fala: uau! E é nesse momento que você de fato enxerga o castelo da Cinderela, da Disney. A Marienbrücke foi construída em metal na época de Ludwig, um feito de engenharia extraordinário para a época. O assoalho é de madeira e parece ser bastante frágil, uma vez que a madeira curva-se a todo momento. Abaixo o precipício da cachoeira. Ludwig II levou sua fortuna à ruína e a Baviera à bancarrota. E não foi esse o único castelo que ele construiu. Construiu uma dezena deles, como Herrenchimsee, uma cópia do Palácio de Versailles. Neuschwanstein nem estava pronto, e o fundamento do próximo castelo já estava sendo preparado. Ele se chamaria Falkenstein e colocaria o Neuschwanstein “no chinelo”.

Como o estado da Baviera estava falido, em crise, os ministros decidiram se rebelar, alegando que Ludwig II era mentalmente doente e incapaz de governar, numa tentativa de buscar uma causa para depô-lo por meios constitucionais. Solicitaram ao tio de Ludwig, o príncipe Leopold, que assumisse a regência assim que o rei fosse deposto. Leopold aceitou, com a condição de que os conspiradores apresentassem provas confiáveis que atestassem a irremediável loucura do rei. Entre janeiro e março de 1886, os conspiradores montaram um Relatório Médico que atestava a incapacidade de Ludwig para os negócios de governo. A maior parte dos detalhes constantes do relatório foram compilados pelo conde von Holnstein, que estava desiludido com Ludwig e buscou ativamente a sua queda. Holnstein usou sua alta posição para arrancar dos serviçais do rei uma longa lista de queixas, considerações e fofocas. A longa e extenuante descrição de comportamentos bizarros incluiu sua timidez patológica; sua indiferença para com os negócios de Estado; seus caros e complexos arroubos de fantasia, incluindo piqueniques ao luar onde seus jovens pagens dançavam nus; conversas com pessoas imaginárias; modos infantis e desleixados à mesa; o envio de agentes em viagens longas e caras para o exterior a fim de investigarem detalhes arquitetônicos para seus projetos, e tratamento abusivo, por vezes violento, dos seus serviçais. Embora algumas destas acusações pudessem ser verdadeiras, não chegaram a ser confirmadas. Eram, no entanto, suficientes para convencer o príncipe Leopold a cooperar. Em seguida, os conspiradores se aproximaram do primeiro-ministro prussiano, Otto von Bismarck, que duvidou da veracidade do relatório, mas não impediu os ministros de continuarem com seu plano. No início de junho, o relatório foi finalizado e assinado por uma junta de quatro psiquiatras: Bernhard von Gudden, diretor do Asilo de Munique; Hubert von Grashey (genro de Gudden) e seus colegas, Hagen e Hubrich. O relatório declarou em seu diagnóstico que o rei sofria de paranóia, e concluiu: “Sofrendo de tal desordem, não se pode mais permitir liberdade de ação e Sua Majestade foi declarada incapaz de governar; que a incapacidade não será apenas por um ano de duração, mas durará por toda a vida de Sua Majestade“. Estes homens nunca conheceram o rei, nem o examinaram. Posteriormente, o rei decidiu escapar, mas era tarde demais. Na madrugada de 12 de junho, uma segunda comissão chegou. O rei foi preso logo após a meia-noite e às 4 da manhã levado para um trem. Ludwig foi levado para o Castelo de Berg, às margens do Lago Starnberger, ao sul de Munique. Em 13 de junho de 1886, por volta das 18 horas, Ludwig pediu ao Dr. Gudden para acompanhá-lo em um passeio pelo bosque do Castelo de Berg, ao longo da margem do Lago Starnberger. Gudden concordou e disse aos enfermeiros para não acompanhá-los. Os dois homens foram vistos pela última vez por volta de 18:30 h e deveriam retornar às 20:00 h, mas nunca mais voltaram. Após horas de buscas por toda a propriedade, sob chuva e ventos fortes, os corpos do rei e do médico foram encontrados flutuando em águas rasas perto das margens do lago. O relógio de Ludwig II havia parado de funcionar às 18:54. Os guardas responsáveis pelo patrulhamento do bosque alegaram não ter ouvido ou visto nada. A morte de Ludwig II foi considerada oficialmente como suicídio por afogamento, mas isso tem sido questionado. O rei era conhecido como um exímio nadador em sua juventude; a água, no local em que seu corpo foi encontrado, não alcançava sequer sua cintura e o laudo da necrópsia indicou que não havia água em seus pulmões. Ludwig II havia expressado sentimentos suicidas durante suas crises, mas a teoria de suicídio não explica totalmente a morte do Dr. Gudden. Muitos sustentam que Luís foi assassinado por seus inimigos, enquanto tentava escapar de Berg. Um relato sugere que o rei foi baleado. O pescador pessoal do rei, Jakob Lidl, declarou: “Três anos após a morte do rei, eu fui obrigado a fazer um juramento de que nunca iria dizer certas coisas – nem à minha esposa, nem em meu leito de morte, nem a qualquer sacerdote. O Estado se comprometeu a cuidar da minha família se alguma coisa acontecer comigo em qualquer tempo, de paz ou de guerra“. Lidl manteve seu juramento, ao menos verbalmente, mas deixou para trás anotações que foram encontradas depois de sua morte. De acordo com Lidl, ele estava escondido atrás de alguns arbustos com seu barco, à espera de encontrar o rei, a fim de levá-lo pelo lago, onde partidários aguardavam para ajudá-lo a escapar. Assim que o rei se aproximou e colocou um dos pés em seu barco, um tiro ecoou na margem, aparentemente matando-o instantaneamente, e o rei caiu sobre a proa do barco. No entanto, o relatório da necrópsia indica que não havia cicatrizes ou ferimentos visíveis no corpo do rei morto. Por outro lado, muitos anos mais tarde, a condessa Josephine von Wrba-Kaunitz mostraria a alguns convidados para um chá da tarde, uma capa de chuva cinzenta com dois buracos de bala nas costas, afirmando que Ludwig estaria usando-a no momento de sua morte. Outra teoria sugere que Ludwig morreu de causas naturais (como um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral), provocadas pelo frio extremo (12 °C) das águas do lago durante uma tentativa de fuga. O corpo de Ludwig II foi vestido com as insígnias da Ordem de Santo Hubert e velado na Capela Real da Münchner Residenz. Na mão direita ele segurava um buquê de jasmins brancos, colhidos por sua prima, a Imperatriz Isabel (Sissi) da Áustria. Após um serviço fúnebre elaborado, os restos mortais do rei foram sepultados na cripta da Michaelskirche, em 19 de junho de 1886. Seu coração, porém, não se encontra com o resto do seu corpo. Seguindo as tradições da Baviera, o coração do rei foi depositado numa urna de prata e enviado para o Gnadenkapelle (“Capela da Misericórdia”), em Altötting, onde foram colocados ao lado dos corações de seu pai e seu avô. Ludwig II foi sucedido por seu irmão Otto I, mas este também foi declarado incapaz de governar devido ao seu estado mental e o príncipe Leopold permaneceu na Regência. Leopold manteve-se à frente do governo até sua morte, em 1912, aos 91 anos de idade. Ele foi sucedido na regência por seu filho mais velho, também chamado Ludwig. A nova regência durou apenas 13 meses (até novembro de 1913), quando Ludwig declarou seu final, depôs Otto I e proclamou-se rei, como Ludwig III da Baviera. Seu reinado durou até o final da Primeira Guerra Mundial, quando a monarquia em toda a Alemanha chegou ao fim.
Ludwig II morou em Neuschwanstein apenas 1 ano e meio até sua morte. Não teve filhos nem família. Sua prima, a Imperatriz Sissi, disse: “o Rei não era louco; era apenas um excêntrico vivendo num mundo de sonhos. Eles poderiam tê-lo tratado com mais delicadeza, e assim, talvez, poupá-lo de tão terrível fim.” Seu único desejo era que após sua morte, ninguém mostrasse esse castelo ao mundo, que ele permanecesse secretamente naquele recanto natural. Mas após seis semanas após sua morte, o castelo foi aberto a visitação pública. Ironicamente, os castelos cuja construção teriam causado ruína financeira do reino, são hoje em dia a principal fonte de renda do estado da Baviera. Os palácios foram doados à Baviera em 1923 pelo príncipe Rudolph, filho e herdeiro de Ludwig III. Apenas com as visitas nos primeiros anos ao castelo de Neuschwanstein, a família conseguiu recuperar o dinheiro investido na sua construção.

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Um comentário sobre “Neuschwanstein: Wer tötete Ludwig II ? Quem matou Ludwig II?

  1. Márcia Melo disse:

    espetacular arquitetura! Rica não só em detalhes mas na energia que pode ser sentida, é como se o Rei estivesse ainda presente. Senti uma mistura de grade admiração e tristeza, sentia no interior do Castelo essa tristeza que não sei a razão.

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