Dachau (1): vor dem Holocaust. Antes do Holocausto.

“Eu sinto muito pelos que morreram nos campos de concentração. Mas sinto muito mais pelos que sobreviveram. Sem família, sem lar, sem passado. Que vida dolorosa; que coragem que eles tiveram para recomeçar do zero”. Foi com essas palavras que a bela Sonja terminou o seu tour em Dachau. Naquela segunda-feira, no dia 28 de maio, fizemos um tour no campo de concentração de Dachau, uma cidadezinha nos arredores de Munique. A guia é simplesmente a mulher mais incrível que já conheci. Ela é uma americana que se chama Sonja, mas tem origem alemã, tem uns 31 anos e está em München para escrever sua tese de mestrado que envolve o tema Holocausto na Literatura Alemã. De forma simples e bastante honesta, Sonja nos contou a história do campo de concentração em Dachau desde sua origem, lá nos anos 20, quando o Partido Nacional Socialista ou Nazi surgiu na Alemanha.
Munique era a cidade preferida de Adolf Hilter e foi lá que o Partido Nacional Socialista (Nazi) foi criado. Alguns anos antes, em maio de 1913, Hitler, natural da Áustria, recebeu uma pequena herança do seu pai e mudou-se para Munique. Sempre desejara viver numa cidade alemã, talvez pelo desejo de se afastar do império multiétnico Austro-Húngaro e viver num país “racialmente” mais homogêneo. Adolf Hitler tornou-se o chefe do Partido Nazista em 29 de julho de 1921, porém o partido foi criado por trabalhadores de Munique já em 1918. Nos anos iniciais de Hitler no comando, o partido seguiu uma linha mais radical e revolucionária, mas a sua influência ficou confinada apenas a Baviera. O desastre para o partido aconteceu em 1923, quando o partido nazista tentou tomar o poder do governo da Baviera, no ato que ficou conhecido como o “Putsch da cervejaria”. O golpe de dois dias foi esmagado pelas autoridades de Munique, e diversos nazistas foram mortos no processo. Hitler e seus conselheiros principais foram julgados e presos por traição. As sentenças variaram de 12 a 18 meses, com Hitler sendo preso na prisão de Landsberg. Durante esse período, de 1923 a 1925, o partido nazista deixou de existir. No entanto, Hitler usou esse tempo para escrever seu livro Mein Kampf, detalhando como iria organizar seu retorno político quando fosse libertado da prisão. Após sua libertação em 1925, o partido nazista ressuscitou e novos membros juntaram-se trazendo consigo ideias anti-semitas e violentas. Nos anos subsequentes, durante as eleições, o partido nazista nunca conseguiu a maioria eleitoral, ficando sempre em segundo plano. No entanto, Hitler foi indicado Chanceler de uma coligação governamental pelo Presidente Paul von Hindenburg em janeiro de 1933. Em 30 de fevereiro de 1933, o edifício do parlamento, o Reichstag, sofreu um incêndio. Este incêndio foi rapidamente atribuído aos comunistas, e usado como desculpa pelos nazistas para fechar os escritórios do partido comunista alemão, banir sua imprensa e encarcerar seus líderes. Além disso, Hitler convenceu o Presidente von Hindenburg a assinar o “Decreto de Incêndio do Reichstag”, abolindo grande parte dos direitos da Constituição de 1919 da República de Weimar. Um outro decreto permitiu a detenção preventiva de todos os deputados comunistas, entre diversos outros membros do mundo político alemão. O principal meio através do qual Hitler se tornou ditador da Alemanha foi o ato Ermächtigungsgesetz (Ato de Habilitação ao Poder), que dava ao chanceler o poder de decretar o estado de emergência e de suspender as restrições legislativas ao seu poder como chefe do Executivo alemão. Para passar esse ato, Hitler organizou uma eleição para o Reichstag em março de 1933, com o intuito de formar uma maioria para adotar esse único ato, que colocava o poder inteiramente nas mãos do Chanceler. Em cinco cláusulas, o Ato de Habilitação ao Poder deu ao governo o direito de mudar a constituição e de aprovar leis sem a aprovação legislativa, ao Chanceler o direito de revisar a legislação, ao Gabinete o direito de passar acordos internacionais e uma renovação do decreto a cada 4 anos, dependente da continuação do governo. Em 14 de julho de 1933, os nazistas proibiram a formação de qualquer novo partido, e a Alemanha se tornou um estado de partido único. Em uma declaração de 23 de março de 1933, Hitler afirma que as duas principais igrejas da Alemanha eram os “fatores mais importantes” na manutenção do bem-estar alemão. Dali em diante, o que fora até então um episcopado crítico passou a apoiar o regime nazista abertamente e, com o acordo entre o Papa Pio XI e o Cardeal Pacelli, finalmente forneceu-lhe aceitação e reconhecimento internacionais. A Doutrina Nazista proclamava a superiodidade do que eles chamavam de Raça Ariana, destinada a dominar toda a Europa. Para os nazistas, a tarefa de expandir a supremacia ariana exigia a destruição dos países inimigos da Alemanha: externamente, as potências estrangeiras que impuseram o Tratado de Versalhes. Com o Tratado de Versalhes assinado em 1919, a Alemanha foi obrigada a aceitar toda a culpa por ter causado a Primeira Guerra Mundial e arcar com os custos de reparos e indenizações aos países aliados. Além do mais, a Alemanha era obrigada a devolver todas as suas colônias sobre os oceanos e na África. Indignada com tais medidas, a população estava muito descontente, e segundo muitos historiadores, isso foi um fator decisivo para que a maior parte do país apoiasse os nazistas com seus discursos acalorados. Internamente, os judeus eram inimigos do Estado, acusados de conspirar contra os interesses do povo alemão. Para tanto, os nazistas procuram explorar o sentimemto nacional do povo alemão, abalado com os resultados da guerra. Além disso, a estrutura do partido, fortemente militrizada, simbolizava a ideia de ordem num país desorganizado política, social e economicamente. Entre 1934 e 1939, o partido nazista iniciou uma série de medidas para juntar o partido nazista e o governo alemão numa única entidade. Foi também nesse período que a visão racial nazista foi transferida para a prática legal, com a Alemanha tornando-se um estado anti-semita e racial após a promulgação das Leis de Nuremberg em 1935. O primeiro ato de Hitler para juntar o partido nazista e o governo alemão aconteceu com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em agosto de 1934. Três horas antes da morte de Hindenburg, o governo de Hitler promulgou uma lei que prescrevia que o posto de presidente seria unido ao de chanceler, e que Hitler seria desde então o Führer e o Reichkanzler (Chanceler) da Alemanha. Com este ato, Hitler fez de si mesmo o chefe de Estado, o chefe do governo e o presidente do partido nazista.
E eis que em 1938 o partido nazista começa a colocar em prática as suas ideias racistas contra os judeus.
Aquela que ficaria conhecida no próprio jargão nazista como a “noite dos cristais quebrados” marcou o início do Holocausto, que causou a morte de seis milhões de judeus na Europa até o final da Segunda Guerra Mundial.
A “Noite dos Cristais” (Kristallnacht ou Reichspogromnacht), de 9 para 10 de novembro de 1938, em toda a Alemanha e Áustria, foi marcada pela destruição de símbolos judaicos. Sinagogas, casas comerciais e residências de judeus foram invadidas e seus pertences destruídos. Milhares foram torturados, mortos ou deportados para campos de concentração. A justificativa usada pelos nazistas foi o assassinato do então diplomata alemão em Paris, Ernst von Rath, pelo jovem Herschel Grynszpan, de 17 anos, dois dias antes. A perseguição nazista à comunidade judaica alemã já havia começado em abril de 1933, com a convocação aos cidadãos a boicotarem estabelecimentos pertencentes a judeus. Mais tarde, foram proibidos de freqüentar estabelecimentos públicos, inclusive hospitais. No outono europeu de 1935, a perseguição aos judeus, apontados como “inimigos dos alemães”, atingiu outro ponto alto com a chamada “Legislação Racista de Nuremberg”. Enquanto o resto do mundo parecia não levar o genocídio a sério, Hitler via confirmada sua política de limpeza étnica. Uma lei de 15 de novembro de 1935 havia proibido os casamentos e condenado as relações extraconjugais entre judeus e não-judeus. Havia ainda a proibição de que não-judeus fizessem serviços domésticos para famílias judaicas e que um judeu hasteasse a bandeira nazista. Ainda em 1938, as crianças judias foram expulsas das escolas e foi decretada a expropriação compulsória de todas as lojas, indústrias e estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus. Em 1º de janeiro de 1939, foi adicionado obrigatoriamente aos documentos de judeus o nome Israel para homens e Sarah para mulheres. A proporção da brutalidade da Noite dos Cristais de 9 de novembro foi indescritível. Hermann Göring, chefe da Polícia Nazista, lamentou “as grandes perdas materiais” daquele 9 de novembro de 1938, acrescentando: “Preferia que tivessem assassinado 200 judeus em vez de destruir tantos objetos de valor!”. Numa única noite, 91 judeus foram mortos e cerca de 25.000 a 30.000 foram presos e levados para campos de concentração. 7500 lojas judaicas e 1600 sinagogas foram reduzidas a escombros. As ordens determinavam que os SA deviam estar vestidos à paisana, a fim que o movimento parecesse ser um movimento espontâneo de uma população furiosa contra os judeus. Na verdade, as reações da população foram pouco favoráveis, pois os alemães não apreciam que se ataque ou tome a propriedade alheia. Os incêndios também chocaram uma parte da população, mas não o fato de que os judeus tivessem sido atacados fisicamente. A alta autoridade nazista cobrou uma multa aos judeus de um bilhão de marcos pelas desordens e prejuízos dos quais eles foram as vítimas. Era o início do Holocausto.
Em 1 de setembro de 1939, as Forças Armadas alemãs deram início a invasão à Polônia, também conhecida como Operação Fall Weiss marcando o início da Segunda Guerra Mundial. A invasão culminaria na dominação completa do país em 6 de outubro do mesmo ano. A operação foi iniciada em resposta a um suposto ataque polonês a uma estação de rádio, o que depois foi comprovado como um ardil dos nazistas para justificar a invasão. Durante a operação, em 17 de setembro, a União Soviética, seguindo uma cláusula secreta do Pacto Molotov-Ribbentrop, também declarou guerra a Polônia e deu início a Invasão Soviética da Polônia na parte leste do país. Em 3 de setembro, em resposta as hostilidades, França e Reino Unido, seguidos por Canadá, Nova Zelândia e Austrália, entre outros, declararam guerra contra a Alemanha Nazi.
As operações começaram aproximadamente ás 4h45min do dia 1º, com o encouraçado alemão SMS Schleswig-Holstein abrindo fogo contra as guarnições polonesas da Westerplatte, península localizada em Danzig, hoje Gdansk. Horas depois, o Grupo de Exércitos Norte e Sul iniciaram a invasão por terra.
Empregando a tática da Guerra Relâmpago com tropas blindadas e mecanizadas, juntamente com inovadoras técnicas de combate e equipamentos modernos, os alemães rapidamente quebraram as linhas defensivas dos poloneses, alcançando o rio Vístula já em 3 de setembro, e iniciando o cerco de Varsóvia no dia 10. Ao sul, com o Grupo de Exércitos Sul, comandado por Gerd von Rundstedt, no dia 3, as tropas de Walter von Reichenau já se encontravam na retaguarda de Cracóvia, e cinco dias depois, tendo percorrido 140 milhas em uma semana, se encontravam a 10 km de Varsóvia.
A essa altura, todos os planos de defesa poloneses haviam falhado, basicamente pela mobilização das tropas alemães e pela incapacidade do exército polonês em recuar estrategicamente, muito por causa do nível de obsolência do seu exército e da mentalidade de seus comandantes. Ainda que algum plano defensivo lograsse sucesso, ele falharia em se proteger da inesperada invasão russa pelo leste. No cômputo geral, a invasão foi um teste e uma importante lição para os alemães, que ali testaram suas forças, assimilaram os resultados e corrigiram os erros. Entre outubro de 1939 e maio de 1940, as Forças Armadas alemãs passaram por uma reformulação completa, que tornaria ainda mais eficiente a Blitzkrieg (Guerra Relâmpago). A Segunda Grande Guerra estava apenas começando.

CONTINUA (…)

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