Tag 9: Bratislava und Pápa.

Na manhã daquele sábado, dia 04 de agosto, deixei Viena com o coração partido. Era como se eu pertencesse aquele lugar. Era como se eu tivesse que ficar ali. Meu caso com Viena foi paixão a primeira vista. Pode deixar que eu volto. Eram 10:00 h quando tomamos o trem rumo a Bratislava na Ostbahnhof. A viagem durou cerca de 2 h, cortando os campos de grãos entre Áustria e Eslováquia. O rio Danúbio mostrou-se imponente em um trecho do caminho. Quando chegamos na estação de trem, a primeira coisa que fiz foi procurar um guarda-volumes para deixar minha bagagem. Eram 11:55 h e por sorte consegui deixar minha mala (paguei apenas 1,50 Euro; em Veneza pagamos 15 Euro), antes do horário do almoço ao meio-dia. Bratislava não tem Strassenbahn, apenas ônibus. A cidade naquela região da rodoviária é meio trash, muito suja, antiga, com umas pessoas mal-encaradas. Pegamos um ônibus até a rodoviária para nos informarmos sobre os horários de ônibus para Györ, na Hungria. Descobrimos que o ônibus sairia 17:30 h. Tínhamos então umas 4 horas para explorar Bratislava. Ambos achamos que seria mais que suficiente e que seria até entendiante. “Bratislava, pfuuui, não tem nada para ver, é um ovo!”, pensamos. Na rodoviária um grupo de mendigos começou a perguntar algumas coisas e como não entendíamos nada obviamente, continuamos andando. Neste momento começaram a nos seguir e foi aí que apressamos o passo até um local mais cheio de gente. Perto do cemitério municipal descemos do ônibus e seguimos em direção ao centro da cidade, sempre tendo como referência o Hrad, o castelo de Bratislava que fica no alto de uma montanha. Conforme íamos nos aproximando do centro histórico a cidade ia ficando cada vez mais bonita. Tudo começava a ficar tão limpo, tão florido, tão enfeitado com bandeirolas da Eslováquia. Um tipo de maquiagem social que Curitiba conhece bem; não faltam flores nos canteiros, os quais são trocados toda semana, enquanto que na periferia da cidade, a realidade é um pouco mais feia. Questões sociais a parte, fiquei encantando com o centrinho de Bratislava. É tipicamente medieval, bem pequenininho, muito bem conservado. As ruas são calçadas de pedras e há arcos sobre algumas ruelas. Chafarizes enfeitavam as praças, um cenário típico de verão. Numa outra praça uma banda se apresentava, enquanto muitas pessoas sentavam-se nos bares e cafés nas ruas. Essa combinação de música ao vivo, calor e muita gente me fez sentir no Brasil novamente. Outra surpresa das ruas de Bratislava são as estátuas espalhadas pelo centro. Uma mais inusitada que a outra, as vezes é possível se confundir com uma pessoa de verdade. A que mais me chamou a atenção é a estátua de um operário, que observa os transeuntes de dentro de um buraco e ao lado uma placa diz “Man at work!”.
Almoçamos ali no centro histórico, num restaurante qualquer. Estava muito quente, tão quente que o sol refletia nas pedras das ruas e o calor atravessava a sola do sapato. Comemos uma comida típica da Eslováquia chamada Bryndzové halušky, uma espécie de nhoque de batata misturada com um creme de queijo de ovelha e ainda servida com uma linguiça apimentada, que estava muito bom. Depois do almoço subimos a montanha para ver o castelo de perto. Gergely já não aguentava mais de cansaço, devido ao calor e ao peso da sua mochila. E eu apurando, achando que não ia dar tempo de ver tudo. Infelizmente não entramos dentro do castelo, visitamo-lo apenas por fora. O castelo é bastante simples, todo branco, mas é essa simplicidade que encanta. Ele é em formato retangular e possui quatro torres em cada vértice. Do alto da montanha tem-se uma bela vista do Danúbio, da cidade nova em estilo soviético – herança socialista dos tempos da Guerra Fria – e das pontes cortando o rio. Dizem quem quando o tempo está bom, é possível ver até mesmo territórios da Áustria e Hungria. Do outro lado do castelo, é possível visualizar a cidade antiga do alto, que é toda vermelha em virtude dos telhados feitos de terracota. Lembra um pouco Praga, que eu apenas vi por meio de fotos até hoje.
Descemos a montanha e andamos mais um pouco pelo centro histórico, quando voltamos para a estação de trem para pegar a minha bagagem e então nos dirigimos até a rodoviária onde tomamos o ônibus para Györ. Internamente eu estava revoltado, pois eu queria ficar mais tempo em Bratislava. Aquelas 4 horas não foram suficientes para sentir aquela atmosfera tão aconchegante da cidade; foi muito corrido. Certamente volto a Bratislava qualquer hora dessas. Em menos de 1 hora já estávamos cruzando a fronteira com a Hungria. Como a Europa é rica culturalmente! Em questão de poucas horas você tem contato com uma língua totalmente diferente, leis diferentes, as vezes uma outra moeda e costumes muito diferentes também. Já na Hungria, no interior onde havia muitas plantações de grãos, a imagem que me marcou para sempre foram os campos de girassóis. O amarelo dominava aquelas colinas com um céu tão azul ao fundo. Outra coisa que só vi na Hungria foram umas bolas de feno jogadas nos pastos onde o gado pastava. Em Györ, num posto de gasolina, o pai de Gergely já nos aguardava dentro de sua Mitsubishi. Muito simpático, a língua foi o único empecilho entre nós, mas Gergely fez tradução simultânea alemão-húngaro. Antes de irmos para casa deles em Pápa, demos uma passada num antigo mosteiro no alto de uma montanha em Györ, mas como já eram mais de 18:00 h, estava fechado. Uma hora de viagem depois, chegamos em Pápa, a cidade natal de Gergely. Lá fui recebido como um rei, tamanha hospitalidade. A mãe dele é uma pessoa muito educada e simpática. Me apresentou o quarto onde eu iria dormir, me entregou utensílios de banho e fomos jantar. O jantar foi tipicamente húngaro, isso porque Gergely havia comentado que eu tinha interesse em experimentar comidas locais. Almoçamos na varanda no jardim, com uma mesa farta. Havia flores no centro. Começamos com uma sopa de ervilhas, cenoura, leite e carne de cervo. Em seguida comemos uma espécie de nhoque (semelhante aquele em Bratislava) com molho de carne de cervo, o cervo que foi caçado pela Companhia de Caça do pai de Gergely. E por último uma sobremesa deliciosa, feita de pão, mel e sementes de papoula. No fim, como aperitivo, bebemos um vinho extremamente doce, quase um licor, chamado Tokaji, tradicional de uma região da Hungria, famoso desde os tempos de Maria Theresia ou antes até. Para a Imperatriz da Áustria apenas os vinhos húngaros prestavam. Até o Papa Benedito XIV rendeu-se ao Tokaji quando foi presenteado por Maria Theresia, também Rainha da Hungria: “Bendita seja a terra que te produziu, bendita a mulher que te enviou e bendito seja eu quem te bebo”, proferiu.
Conversamos ainda por algum tempo. O pai de Gergely, caçador profissional, queria saber que animais havia no Brasil; me trouxe até um atlas para mostrar quais eram os bichos de cada região. Tarde da noite, exaustos, subimos para o terceiro piso (isso mesmo, a casa tem 3 pisos. É uma casa dos sonhos, com um quarto-sótão. Muito legal!) para checar os e-mails e descansar. Finalmente dormiria numa cama confortável depois de uma semana dormindo em camas de hostels. No dia seguinte faríamos um roteiro em família, algo mais tranquilo. Viajaríamos para a região do lago Balaton, o maior lago da Hungria.

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