Silvester auf dem Peissnitz. Ano Novo no Peissnitz.

A chegada do ano novo reuniu mais de um milhão de pessoas embaixo do Brandenburger Tor em Berlim, com uma bela queima de fogos.

Eu passei a virada do ano na pacata Halle mesmo. A convite de Branca, celebrei a chegada de 2013 com alguns amigos dela. Eu não tinha planos para esse dia, já que no dia 01 eu viajaria para Köln e depois Bruxelas e Amsterdam. Chegamos no apartamento da anfitriã lá pelas 20 h, num prédio bonitinho próximo a ilha fluvial de Halle, o Peissnitz. A região é uma das mais valorizadas da cidade. Quando chegamos, encontramos uma outra convidada que estava apertando o interfone para subir. Ao abrirmos a porta, vi que já havia outras pessoas lá dentro, pela quantidade de casacos pendurados e sapatos no chão. Aliás, foi a primeira coisa que fizemos: retiramos o sapato fora de casa, para daí sim entrar. Estava abafado, com cheiro de fritura, mas aparentemente bem animado. Os outros convidados, em torno de oito pessoas no total, estavam comendo raclette, que nada mais é que um grill sobre a mesa onde você pode assar as comidinhas, assim como há também umas panelinhas em formato de pá onde você coloca os alimentos e depois assa eles embaixo do grill. Havia carne de frango ou peru, champignons, páprica, batatas, molhos, várias opções.

Ficamos quase três horas a mesa comendo e conversando. Quer dizer, no meu caso e da menina que chegou junto conosco, ouvindo. Todos eram alemães, exceto eu. Percebi que todos os anos o mesmo grupo de amigos se reúne no Reveillón para comemorarem juntos. Todo ano é numa casa diferente. Fiquei meio deslocado, primeiro por não conhecer ninguém, segundo porque, apesar de falar alemão, não me senti confortável e preferi falar inglês, e terceiro porque todos eram alemães e eles não são o povo mais integrador do mundo. Mas nas poucas oportunidades que conversamos em inglês, foi bastante divertido, sem contar que eu entendi todas as bobagens em alemão. Mas por que você não falou em alemão?, alguns se perguntarão. Porque eu cheguei num ponto em que estou cansado de ser cobrado, pressionado. Já percebi que os jovens não fazem questão ou esforço nenhum para interagir com alguém que não fale fluentemente. No primeiro artigo definido que você troca ou numa declinação errada, eles já pulam para o inglês, isso quando não acham engraçado o erro gramatical que você disse. Os mais velhos são mais pacientes, acham legal alguém se esforçar para aprender essa língua tão difícil. Depois de algumas brincadeiras e piadas, fomos para fora esperar a contagem regressiva e ver a queima de fogos. A temperatura estava agradável, nem parecia inverno, em torno de 10 ºC. Munidos de duas garrafas de espumante e uma de suco de maça com vodka, fomos até o Peissnitz. Quando deu meia noite, uma explosão de luzes e cores enfeitou a noite escura. Não houve uma queima de fogos oficial, da prefeitura. Cada um, em suas casas, soltavam foguetes e bombas, um espetáculo bonito que durou quase uma hora inteira. Nos abraçamos, Prost Neujahr para cá e Prost Neujahr para lá, bebemos goles de champanhe da garrafa mesmo e ficamos admirando os fogos. Uma das convidadas, que mora em Estocolmo onde faz seu doutorado em Química, trouxe uma carteira de cigarros especial, pois seu irmão trabalha na fábrica que produz. Segundo ela, havia cápsulas de menta no filtro do cigarro, que estouravam aos poucos conforme ia queimando. Resolvi fumar um para experimentar, mas confesso que não senti gosto de menta nenhum. Bastou eu acender meu cigarro, que as pessoas começaram a aproximar-se de mim e conversar em inglês. Foi mais uma constatação de que o fumo, pelo menos na Alemanha, é um fator de integração. Como já falei outras vezes e volto a repetir, se eu fumasse, certamente eu teria quatrocentos amigos aqui. Alguns queriam saber como era o ano novo no Brasil, tradições, costumes, coisas clichês. Perto da uma da madrugada, eu, Branca e o colega de apartamento dela nos despedimos, enquanto os outros subiram para continuar a festa, pelo que eu entendi. Os dois me acompanharam até o ponto do Strassenbahn. Agradeci Branca pelo convite, enquanto ela disse que foi um prazer ter minha companhia naquele ano. E voltei para Kröllwitz, em meio a bombas e rojões insistentes, na expectativa de dormir. O que eu mal sabia é que uma terrível ressaca estava a caminho.

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