Kölnisch Wasser. Água de Colônia.

No dia 01 de janeiro acordei de ressaca. Uma grande Kater, como se fala em alemão. Após misturar champanhe, fantini (suco de manga com vodka) e suco de maçã com vodka na noite anterior, o efeito apareceu no ano novo. Naquele dia embarquei rumo a Köln (Colônia) as 17 h da tarde. O meu trem chegou na cidade 22:45 h, quando segui direto para o hostel que ficava atrás da Hauptbahnhof, e dormi. No dia seguinte me encontraria com a doce Jiang Nan, a chinesa que agora vive em Trier. Foi um ótima oportunidade para revê-la. Agora em Trier, ela mora a cerca de 2 h de distância de Colônia. Antes dela chegar, visitei o Museu Ludwig em frente a Dom (Catedral), um museu de arte pop e contemporânea. Havia uma exposição do britânico David Hockney, que retrata paisagens com um “que” de impressionismo, porém, abusando de cores berrantes como púrpura, ocre e verde limão. Como faz bem para os olhos admirar tais cores! Sem contar que conheci a série em quadrinhos “Maus”, que faz uma analogia com o holocausto. Os ratos são os judeus e os gatos os alemães nazistas. Fiquei curioso para conhecer mais sobre a série.


Fiquei “pê” da vida pois o botão do meu casaco arrebentou, e era apenas o primeiro dia da viagem. Quando eram quase 11 h liguei para Jiang Nan, que estava tomando um café no Starbucks. Entrei no Café e ela surgiu com seus cabelos negros muito longos, esbanjando alegria. Como é bom ter a sorte de encontrar pessoas sinceras, daquelas que te olham nos olhos e ficam felizes em saber que você está bem. Digo sorte, porque hoje em dia tal espécie de ser humano está difícil de encontrar. Ao lado da Hauptbahnhof e às margens do Reno, a Dom ergue-se imponente, absoluta, reinando soberanamente a paisagem. Não há nada mais alto que ela naquela região. Visitamos o interior da Dom, mas apenas uma parte estava a aberta a circulação pública; a outra apenas para orações. É lá que estão os restos mortais dos três reis magos – Baltazar, Melchior e Gaspar. O que mais me impressionou nem foi o tamanho da Dom, mas sim a riqueza de detalhes na fachada. Muitas estatuetas, arabescos, camadas. Como que puderam construir tal coisa numa época em que não havia tecnologia nem maquinarias para auxiliar. A construção iniciou-se em 1248, mas após várias interrupções, a catedral levou mais de 600 anos para ser finalizada. Incrível! Depois disso, subimos a Dom até o alto de uma das torres. Na fila que se formava, conversamos sobre os últimos meses, os quais não havíamos mais nos falado. Jiang Nan me disse que passou o Reveillon sozinha em Trier, em casa. Perguntei sobre colegas, até mesmo chineses. Ela respondeu que não tem muitos colegas lá, e que não tem compatibilidade com os chineses que lá vivem. Se ela tivesse me falado isso algumas semanas antes, eu teria ido para Trier passar a virada do ano com ela. Nos primeiros degraus da subida percebemos que a “escalada” não seria fácil. Nas escadarias estreitas, havia um sobe-e-desce de pessoas sem fim. Ouvi todas as línguas possíveis durante o trajeto, parecia até mesmo a Torre de Babel, ou a Torre de Colônia. No alto é possível ter uma bela visão da cidade, sobre o Reno, algumas pontes. Não havia sol, estava nublado, mas havia uma luminosidade. Na descida, o mesmo tumulto. Resolvemos almoçar para recuperar as energias; comi um MacDonalds. Em seguida atravessamos a ponte em arco, por onde os trens circulam, e onde milhares de cadeados colocados por casais apaixonados amontoam-se nas grades. Do outro lado do rio, uma vista privilegiada da catedral. Após algumas fotos básicas, voltamos e passeamos sem pressa pela cidade. O centro estava tumultuado, muitos turistas americanos, mas também alemães fazendo compras nas liquidações de inverno em pleno 2 de janeiro. Na lojinha de souvenirs da Dom comprei a legítima Eau de Cologne ou água de Colônia, a n.4771, mas apenas um frasquinho de 3 mL. O cheiro é bom! O centro histórico não encanta tanto como em outras cidades alemães, porque a cidade foi completamente destruída, incluindo a catedral, e por isso foi totalmente renovada, perdendo a sua originalidade. Tudo parece como antigamente, mas a gente percebe nas fachadas que aquilo ali não é original. Ao entardecer, Jiang Nan queria me levar para comer Hot Pot, segundo ela o melhor Hot Pot da Alemanha. Sem saber o que era, fomos até um restaurante chinês no outro lado do rio, onde nos fartamos. O Hot Pot é uma panela deitada sobre um fogareiro aceso. Nesta panela há dois tipos de caldo, picante e normal, onde as pessoas cozinham alguns ingredientes. Colocamos lá dentro cogumelos, carne de peixe, vegetais, lula, marisco, bucho de boi, carne de carneiro. Nunca havia provado e realmente foi uma delícia, ainda mais acompanhado por um molho de semente de gergelim. O restaurante estava lotado de chineses e pode-se comer a vontade por um preço único. Ela me disse que na China sempre comem assim. Ela estava contente em pode comer novamente seu prato favorito. Quando eram 18:45 h tive que me despedir e fui para o Hostel pegar minha mala, pois meu trem para a Bélgica partiria em 1 h. Nos despedimos, com planos de nos encontrarmos em Londres. Não sei se será possível fazer esta viagem, mas espero que possamos nos rever. Encontrar Jiang Nan em Köln me proporcionou um agradável e feliz começo de ano.

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2 comentários sobre “Kölnisch Wasser. Água de Colônia.

  1. Giselle disse:

    oi Leo! Que legal descobrir o seu blog. Adorei o seu passeio em Colônia, eu que já fui algumas vezes nunca lembro de tirar um tempo pra subir nas torres da Catedral. Sou meio tapada. Foi bom ler impressões diferentes das minhas sobre o mesmo país. Alemanha sempre desperta algo em todo mundo, é intrigante!

    1. Leopoldo disse:

      Oi Giselle! Obrigado pelo seu comentário. Parabéns pelo seu blog também… achei bem informativo, com várias dicas legais. Vou acompanhar sempre. A próxima vez que for a Colônia você precisa subir na torre… a vista da cidade é linda, sem contar que vc fica impressionado pensando em como aquilo tudo foi construído.
      Li no seu blog que vc esteve em Amsterdam no começo de janeiro? Também estive lá no primeiro final de semana do ano.
      Por isso que gosto de ler/escrever blogs… a gente acaba descobrindo uma série de dicas sobre os lugares, curiosidades, que talvez por conta própria, jamais tomaríamos conhecimento.
      Abraço.

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