Der ungarische Zug. O expresso húngaro.

Meus olhos pareciam a lente de uma câmera fotográfica, tentando registrar toda aquela paisagem deslumbrante, eternizar aquelas cores, aqueles tons tão sóbrios do inverno europeu. Tentava captar a imensidão da brancura da neve. Mas meus olhos não conseguiam arquivar tantos bytes, tantos pixels, não havia espaço no disco rígido. Pela janela do expresso húngaro Máv-Start as imagens dissolviam-se naquele branco sem fim, como uma névoa que recobre a montanha. Foi a viagem mais longa, cerca de 12 h dentro de um trem, mas foi a mais bonita e a mais legal de todas. O tempo passou despercebido naquele 25 de janeiro enquanto eu admirava aquelas paisagens de fotografias de calendário de supermercado. De Dresden a Praga o trem percorreu os trilhos a beira do Elba e depois outro rio, acompanhado sempre por um paredão de pedra. Cravejadas nas rochas apareciam algumas igrejinhas, casinhas, pontes. A viagem seguiu pelo interior da República Tcheca, com sua arquitetura peculiar, tão diferente da de outros países, com muitos edifícios coloridos e cúpulas ornamentadas. Quase próximo da fronteira com a Eslováquia surgiu Brno, a segunda maior e mais importante cidade da República Tcheca, onde eu vi uma igreja que me impressionou pelas suas dimensões e detalhes. Em Brno entrou uma multidão de gente com destino a Bratislava, agitando o trem, antes silencioso. O sol já se punha quando o trem parou em Bratislava, onde quase todos desceram. A partir daí começou a escurecer e não foi possível ver mais nada, a não ser meu reflexo na janela do trem. Já na Hungria o trem parou numa estação qualquer, quando os motores foram desligados e as luzes apagaram-se. Foi aí que percebi que não chegaria no horário estipulado, pois o relógio da estação de trem anunciava o embarque naquela plataforma as 18:10 h, sendo que já eram 18:50 h. O trem estava 50 min atrasado. Mandei uma mensagem para Gergely dizendo que não sabia onde estava, mas que achava que estava na Hungria, avisando que me atrasaria, pois combinamos de nos encontrar na ferroviária de Budapeste. Ele me respondeu que já sabia, pois havia uma informação no telão da estação. 30 minutos mais tarde o trem parou em Keleti pu em Budapeste. Além de mim, desembarcaram uma americana e uma canadense que estavam juntas com outro rapaz, cuja nacionalidade não consegui identificar, os quais já estavam no trem quando embarquei em Dresden. Os mesmos estavam ali para organizar um evento envolvendo Hungria, Bulgária e Romênia. Estávamos num dos últimos vagões. Como eu gosto de Budapeste! Andando na estação de trem em direção a saída, nem percebi quando Gergely me chamou. Era como se eu tivesse reencontrado um dos meus irmãos. 

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