Letztes Mal in Wien. Última vez em Viena.

Só havia gelo na Maria-Theresia Platz em Viena naquela segunda-feira, 28 de janeiro. Uma camada grossa de neve cobria a cidade. Chegamos em Viena na hora do almoço, numa viagem em torno de 3 h partindo de Budapeste. Deixamos nossas coisas no hostel A&O Westbahnhof e fomos em direção ao centro, mais precisamente ao Hofburg, conhecer o palácio que serviu de moradia à família imperial. A neve estava perfeita para fazer bolas de neve; os arbusto tosados redondamente foram os alvos dessa guerra gélida. A estátua da grande imperatriz austríaca permanecia imóvel ao centro da praça, olhando seus súditos sentada em seu trono; um corvo pousava sobre sua cabeça e provavelmente marcou seu território, deixando a entender que ninguém permanece no topo para sempre. As obras do Museu de História da Arte estavam prontas, o que dava um ar mais harmonioso à praça, diferentemente de quando estivemos lá em agosto. Visitamos a coleção de porcelanas e pratarias dos imperadores, e também os apartamentos de Sisi e Franz no Hofburg. Apesar de lindo, as dependências do Palácio Imperial, assim como também Schönbrun, não chegam a ser tão luxuosas quanto Versailles ou Neuschwanstein, e talvez seja isso que mais me encante ali. Apesar de Maria Theresia ter sido a grande governante austríaca do século XVIII, é Sisi que ostenta o título de heroína amada pelos vienenses. Apesar de toda a pompa, Sisi foi uma imperatriz infeliz. Não gostava da vida de rainha na Côrte, das obrigações políticas e matrimoniais. Preferia isolar-se em outros castelos ou viajar a bordo do trem imperial para lugares distantes a ter que participar dos compromissos de Estado. Vivia sempre preocupada com sua aparência, a ponto de tal preocupação tornar-se obsessiva. A imperatriz foi considerada umas das mulheres mais belas de sua época. Vivia fazendo dietas malucas e muitas vezes não se juntava ao demais à mesa na hora das refeições. Embora fosse um tanto neurótica em relação à balança, recibos de confeitarias mostram que ela frequentava Cafés e comia tortas calóricas. Sua cintura era de vespa e seu cabelo quase lhe tocava os pés de tão longo. Passava horas penteando-se em frente à penteadeira. Quando resolvia lavar os cabelos com um preparado especial, o processo demorava praticamente o dia inteiro até secá-los. Era uma exímia amazona, sempre elogiada pela sua aptidão a montaria. Escrevia poemas e sofria de uma depressão que lhe consumia, que foi agravada após o suicídio de seu filho único. Até que um dia em Mônaco, numa de suas viagens, sofreu um atentado por um anarquista italiano. O alvo inicial era outro, mas ao descobrir que a imperatriz austríaca estava na cidade, Sisi tornou-se presa fácil. Foi apunhalada com uma fina lâmina em seu coração, fato que lhe fez cair ao chão, mas não sentiu nada de imediato. Levantou-se e correu para pegar um barco de passeio, vindo a óbito na embarcação. Morreu a imperatriz, nasceu o mito.

Sisi por Emma Heming-Willis (Vienna Awards, 2012).

Chovia fino naquele final de tarde. Andando pela avenida principal de Viena resolvemos entrar num dos inúmeros Cafés e provar a famosa Sacher Torte, que foi batizada com o nome do hotel mais luxuoso da cidade. A massa de chocolate é recheada com geleia de damascos e recebe uma cobertura grossa de chocolate. Uma delícia, ainda mais se for acompanhada de um bom Mélange. Naquela mesma noite jantamos no restaurante mais tradicional da cidade, o Figmüller, que serve há mais de um século o melhor Wienerschnitzel da cidade, quiçá da Áustria inteira. Voltamos ao Hostel pela longa e imensa Mariahilfer Strasse. No dia seguinte visitamos o Naschmarkt, um mercado a céu aberto, uma espécie de feira, com muitos pescados e frutos do mar, carnes, frutas e verduras, e anda por cima condimentos, doces, guloseimas e café, perfeito para um sábado de manhã, embora naquele dia fosse terça-feira. Um vendedor de doces nos chamou e perguntou da onde éramos. Quando respondi que eu era do Brasil ele tentou algumas palavras em português, como “Bom dia!” e “Como vai?”. Perguntou em alemão como estava a Dilma? Nos ofereceu uma série de doces e acabei comprando um pacote de caramelos. Seguimos em direção ao McDonalds para tomar um Mélange e logo depois fomos a cripta da família imperial, no subsolo da cidade. Apesar da atmosfera um tanto mórbida, os túmulos da família real eram verdadeiras obras de arte. O de Maria Teresa era monumental, de mármore rosa, com muitas estatuetas e detalhes. Já o de Sisi e seu marido, por sua vez, eram extremamente simples. Começou a chover e nos apressamos para ir até a Ópera de Viena, onde fizemos um visita guiada pelo interior do prédio mostrando as instalações da mais famosa ópera do mundo. Nos séculos XVIII e XIX, enquanto Paris estava para as Artes, Viena estava para a música clássica. Os grandes compositores apresentaram-se no palco daquela Ópera, que foi destruída durante bombardeios da Segunda Guerra Mundial e posteriormente reconstruída. Os ingressos para a temporada de apresentações começam a ser vendidos geralmente seis meses antes e esgotam-se dentro de poucos dias. Depois de uma rápida passagem pelo museu da Ópera, seguimos para o nosso último destino, a casa de Mozart. Quando menino Mozart foi considerado um prodígio e quando adolescente, seu pai Leopold o trouxe para morar em Viena a fim de se enturmar com a nata da música erudita. Acabou virando um dos mais renomados músicos de sua época, sendo aclamado por toda a Europa. Em Praga, por exemplo, virou fenômeno com “As bodas de Fígaro”. Chuviscando, voltamos a pé novamente até as proximidades da Westbahnhof, onde jantamos e nos despedimos de Viena. Ah Viena, quantas lembranças. Nesta segunda visita a cidade à beira do Danúbio, senti-me tão acolhido, que parecia que eu morava ali a vida inteira. As duas visitas foram tão naturais, uma atração magnética, encanto à primeira vista. Impossível não se apaixonar por Viena. Espero um dia voltar a esta cidade linda, moderna, prática e limpa, e ao mesmo tempo tão clássica, imperial e com o melhor café do mundo.

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6 comentários sobre “Letztes Mal in Wien. Última vez em Viena.

  1. Henrique disse:

    Boa noite Leopoldo!
    Seu blog é simplesmente fantástico! Eu sou fã deste país extraordinário assim como você também deve ser.
    Estive em Munique, em Setembro de 2014. Porém, quando fiz colegial e cursinho eu detestava história até poder vivenciá-la. E o que mais me impressiona é o conhecimento que você possui e/ou adquire com a sua jornada por toda a Europa!
    Gostaria de pedir humildemente algumas dicas a respeito de como adquirir tanto conhecimento histórico!
    Creio eu que em breve voltarei para a Alemanha para realizar estudos na chamada Graduação Sanduíche do Programa Ciências sem Fronteiras. E suas dicas sobre como buscar conhecimentos históricos são de extrema importância para mim!

    Grato pela atenção.

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