Je suis à Paris! Estou em Paris!

No dia 10 de março desembarquei em Paris. O trem vindo de Frankfurt (Main) demorou a parar na estação Gare de l’Est. Naquele domingo acordei às 4:00 h da manhã e segui para a Hauptbahnhof de Halle, onde peguei o trem para Leipzig e fiz conexão para um trem com destino a Frankfurt. Ao chegar devagarinho na capital francesa percebi que Paris é muito semelhante à Budapeste, devido a sua coloração amarelada. Diria que Paris é bege, branco-marfim. O tempo estava relativamente agradável, um pouco frio, mas havia sol entre nuvens. O mais engraçado de tudo é que não senti nada como nas outras cidades que visitei na Europa. Era como se tudo aquilo ali que estava diante dos meus olhos fosse indiferente ou normal. De tanto ver Paris e Londres nos filmes e seriados de televisão, tive a impressão de que já conhecia cada canto daquela cidade. Fiquei hospedado num hostel pequenininho, mas razoavelmente confortável, na região de Montmartre, bem aos pés da Basílica de Sacre Coeur. O hostel se chama Le Regent, que serve um café da manhã incluído no preço, com pães e croissants, mel, geléia. Nada de luxo, mas decente. No primeiro dia choveu o dia inteiro. No segundo dia nevou o dia inteiro, ininterruptamente. No terceiro dia choveu e fez sol. No quarto dia fez sol e nevou. Isso é Paris! No primeiro dia fiz um free tour com o Sandemans, como de costume. O guia Rafael de Porto Rico apresentou de modo resumido curiosidades sobre os principais cantos da cidade. Começamos na praça Saint Michel, seguindo para a Catedral de Notre Dame. A Catedral completa 850 anos em 2013 e é uma obra prima da arquitetura gótica medieval. O seu diferencial em relação às outras catedrais do mesmo período é o fato de que suas paredes são bastante finas. As paredes foram construídas com pedras pouco espessas para suportarem os finíssimos e delicados vitrais, outra maravilha de Notre Dame. Grandes rosetas mesclam-se com vitrais retangulares, que proporcionam um jogo de luzes incrível com o reflexo do sol. Segundo Rafael, a catedral estava jogada as traças, literalmente abandonada pelas autoridades de Paris, que sempre evidenciavam mais Sacre Coeur, até que a Disney levou às telas o desenho animado “O Corcunda de Notre Dame”, tornando a catedral antes esquecida, novamente num dos cartões postais de Paris.

Eu confesso que fiquei boquiaberto lá dentro, pois me senti de fato na Idade Média. Pena que a torre dos sinos estava fechada para reformas naquela semana e não foi possível subir. Vocês sabiam que a coroa de espinhos usada por Jesus Cristo na crucificação está em Notre Dame? E que outras relíquias sacras usadas por Cristo encontram-se na capela Saint Michel? Eu não sabia. Passamos em frente à Conciergerie, onde Maria Antonieta ficou aprisionada até o dia em que foi à guilhotina. Sobre o Sena há várias pontes, cada uma com uma história. A ponte dos artistas é uma das mais famosas da cidade, onde os casais apaixonados lacram com cadeados (alguns com cadeados de senhas, que podem ser reabertos!) seu amor eterno. Outra ponte famosa é a Alexandre III, que leva conecta o Grand Palais ao Museu Invalides, onde todas as cenas de filmes e propagandas de perfumes caríssimos são filmadas. Passamos em frente ao Louvre, que é o primeiro museu do mundo, onde estão encerradas algumas das mais valiosas obras de arte e objetos de antiguidade do mundo. Em algumas janelas é possível notar a presença de pontos alaranjados, uma sinalização que serve para indicar o local das obras mais importantes, em caso de incêndio ou atentado. O Louvre foi a residência oficial da monarquia até o reinado de Louis XIV, que considerava o local muito pequeno, uma pocilga. O Louvre tem cerca de 35 hectares, já Versailles, que passou a ser o novo lar da realeza, tem cerca de 800 hectares. Próximo ao Louvre ficava o Palácio de Tuileries, residência de alguns dos grandes monarcas franceses e que foi incendiado em 1871 por membros da Comuna de Paris. Há muito tempo existe um plano de reconstrução do palácio, mas essas obras custariam uma fortuna, e por isso o projeto foi engavetado. No lugar surgiu o Jardim de Tuileries, que no verão deve ser um primor, da mesma forma que o Jardim de Luxemburgo. A frente do Tuileries, a Place de la Concorde, com o seu famoso obelisco. O obelisco é original do templo de Luxor no Egito e foi dado de presente a França quando arqueólogos franceses conseguiram decifrar os hieróglifos. Foi nessa praça que Louis XVI foi decapitado, após passar por um corredor de pessoas que se amontoavam no Tuileries. Em frente, a Champs Elysées, o mais famoso Boulevard de Paris, que leva ao Arco do Triunfo, num caminho forrado de lojas de grife à esquerda e à direita. O Arco do Triunfo é enorme, com mais de 30 metros de altura. Napoleão se considerava tão importante quanto os imperadores romanos e por isso queria tal honraria em semelhança ao arco de Constantino, ao lado do Coliseu. Napoleão não chegou a ver a obra acabada, uma vez que foi exilado na ilha de Elba. Os boulevards de Paris foram outra criação de Napoleão. Tendo em mente os acontecimentos da recente Revolução Francesa, onde a população armava motetes nas ruas estreitas e escuras, o imperador teve a idéia de criar extensas e abertas avenidas, que pudessem conduzir rapidamente as tropas do exército e abafar as manifestações de revolta. Ao longe vimos Sacre Coeur, uma igreja que foi construída no século XX e ainda a torre Eiffel entre nuvens. Parecia que a torre estava ali perto, mas como disse o guia: “Ela sempre parece estar por perto, mas quando você percebe, ela está a mais de 5 km de distância”. Nos três primeiros dias fui até a torre Eiffel e pude fotografá-la em diferentes ângulos e condições climáticas. Quando fui na quarta-feira pela manhã com o intuito de subir, não consegui, pois a torre estava fechada devido às condições climáticas; havia nevado muito no dia anterior. As dimensões da torre impressionam, especialmente quando se está debaixo dela.
Na terça não parou de nevar. De acordo com meus planos eu iria até Versailles, mas acabei fazendo o programa de quinta-feira, visitando os Museus d’Orsay e Invalides. No Museu d’Orsay, que é uma antiga estação de trem, estão algumas obras raras, principalmente dos grandes pintores impressionistas, van Gogh, esculturas. Já no Museu de Invalides ou das Armas, que tem esse nome em razão de ter sido um hospital para inválidos feridos de guerra, e que hoje também abriga um hotel, mostra a coleção de armas desde o tempo de Louis XIV até Napoleão III, contando a participação da França nas grandes campanhas. Outra parte do museu conta a participação da França nas duas grandes guerras. E ainda é possível visitar o túmulo de Napoleão Bonaparte na cripta da capela ao centro do museu. Dali, fui até a torre Eiffel novamente, que embaixo de neve e -6 ºC ficou linda. Na quarta-feira estive lá novamente, mas a vi do lado do Trocadero, onde comi um crepe poulet, bem gostoso. A tarde visitei o tão aguardado museu do Louvre. Não havia muita fila e por isso acabei entrando pela pirâmide, a entrada principal. Segundo o guia Rafael, para se entrar no Louvre em dias tumultuados, a melhor opção é entrar pela porta dos Leões. Comecei pela Monalisa, pois queria ficar livre dessa obrigação. Passando por uma galeria extensa de obras de arte que incluíam Leonardo da Vinci, como Virgin on the Rocks, entrei na galeria onde estava a famosa tela La Gioconda, blindada por um vidro espesso. Como todo mundo sabe, a Monalisa é um retrato e por isso ela tem o tamanho de um retrato. Não foi nenhum espanto constatar que o quadro em si é pequeno. Mas a pintura é um primor. A gente fica fascinado em frente a ela, depois de tantas histórias sobre seu sorriso, de tantos mistérios envolvendo sua criação. Em frente à Monalisa, o maior quadro do Louvre, “As bodas de Canaã”, de Veronese.
Fiquei praticamente 6 h lá dentro e ao final meus pés não aguentavam mais. O museu é muito grande, há muitas escadarias, muitos níveis. A coleção é abrangente, com pinturas, esculturas, objetos de antiguidade, etc. Passei por quase todas as salas sem prestar atenção nos detalhes, apenas relances, parando de vez em quando para admirar um quadro famoso ou quando havia uma cor ou imagem que se sobressaia. À noite peguei um metrô até o Arco do Triunfo e caminhei um pouco pela Champs Elysées. Foi lá que vi o maior número de brasileiros, com várias senhoras tupiniquins usando umas peles, provavelmente artificiais, querendo pagar de madame e comprar roupas de boutique (tá meu bem!).
E quinta-feira finalmente fui até o palácio de Versailles. Peguei o RER C5 Vichy na estação Saint Michel rumo a Versailles Rive Gauche. Apenas alguns minutos de caminhada seguindo as placas de informação, chega-se em frente aos portões dourados do palácio. Como eram 9 h da manhã não havia muita gente e por isso foi uma visita tranquila. Ao entrar no pátio interno já é possível observar o luxo que estava por vir. Os apartamentos reais são suntuosos, extremamente decorados, requintados. Mas o que mais me impressionou foi o Salão dos Espelhos, bem em frente ao enorme jardim que estava coberto de neve. As paredes são forradas com um tecido que creio ser de cetim ou seda; há uma série de lustres de cristais e retratos nas paredes. Os inúmeros espelhos estão paralelos aos janelões, que refletem a luz solar do sol poente, ampliando a sala, e ainda para mostrar toda a imponência da monarquia francesa, já que naquela época os espelhos eram artigos de luxo valiosos. Foi uma das visitas mais interessantes que fiz na Europa, juntamente com a visita a Auschwitz e ao Vaticano. Queria ainda visitar os domínios de Maria Antonieta, como o Petit Trianon, mas o ticket custava mais 10 euros, e então resolvi caminhar pelo jardim. O que eu não sabia era que o lago central era em forma de cruz, e quando percebi estava no meio do jardim e precisei dar toda a volta no gigantesco lago. Mas valeu a pena, embora tudo estivesse coberto de neve. Fico imaginando que beleza que deve ser na primavera e no verão. E fiquei imaginando a Côrte, o rei e a rainha andando por ali, fugindo em charretes no meio da tarde para se encontrarem com seus amantes no meio daqueles bosques. Naquela tarde, já de volta a Paris, visitei novamente a Catedral de Notre Dame, não sem antes comer um crepe jambon fromage, dos deuses. De repente começou a nevar, uma neve que durou cinco minutos, mas tempo suficiente para um brasileiro, que me pediu para bater uma foto, gritar feito louco: My first time seeing snow. Snow! Na volta para Montmartre uma maratona para pegar o metrô. Tive que esperar três trens para poder entrar, tamanha quantidade de gente, igual ou pior a situação de Curitiba ou São Paulo. A diferença é que a cada três minutos tem um novo trem; no Brasil, a cada 30 minutos. O sistema de metrô de Paris me impressionou pela sua dimensão. Os túneis são enormes e os trens não correm pelos trilhos, mas sim por plataformas. Os trens têm rodas gigantes. Achei muito perfeito. Em Montmartre, depois de um descanso no hostel, subi até o Sacre Coeur novamente, onde desta vez fiz uma promessa. Se ela se cumprir, volto a Paris. Passei em frente ao Moulin Rouge, que estava todo iluminado. Aliás, a região de Montmartre respira sexo, cheio de cabarés, puteiros, bares eróticos e shows de striptease.
No dia seguinte, após passar pela alfândega para entrar no Reino Unido na Gare du Nord, embarquei rumo a Londres. A polícia apenas me perguntou o que eu estava fazendo na França e porque eu estava indo para Londres. Respondi que estava ali a turismo. A policial repetiu as duas perguntas duas vezes, mas o tom dela mudou quando mostrei meu visto de permanência alemão. Foi bem tranqüilo. Quando percebi estávamos atravessando o canal da Mancha e o horário foi atrasado em 1 hora.

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Um comentário sobre “Je suis à Paris! Estou em Paris!

  1. philgeland says:

    Eu confesso que fiquei boquiaberto lá dentro, pois me senti de fato na Idade Média.

    É isso mesmo. Quando se trata da Europa, tudo depende do lugar e do momento certo. – Muito além do “presente”, do “Euro”, da “economia” e tudo mais. É só ficar de olhos e sentidos abertos.

    Parabéns pela experiência!

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